quinta-feira, 27 de novembro de 2014

ÁSIA




NOVO PORTO DA VALE NA MALÁRIA DE US$ 1,4 BILHÃO INAUGURADO
Novo terminal foi projetado para cortar custo no transporte de minério de ferro para a China



Jornal do Brasil

O Financial Times  publicou nesta sexta-feira (7/11) uma matéria sobre um novo empreendimento da mineradora brasileira Vale. Segundo o artigo de Jeremy Grant e Samantha Pearson, a companhia empreendeu “um ousado movimento contra seus rivais australianos ao inaugurar um terminal portuário de US$ 1,4 bilhão na Malásia, projetado para reduzir o custo na venda de minério de ferro para a China, o maior consumidor do mundo.

As instalações foram construídas em águas profundas, entre Kuala Lumpur e Penang no Estreito de Malacca, e são uma tentativa de reduzir a desvantagem diante da  BHP Billiton e da Rio Tinto devido à maior distância necessária para transportar o minério de ferro do  Brasil até os mercados asiáticos, sedentos por energia.

Os preços do minério de ferro caíram mais de 40% até agora neste ano, o nível mais baixo nos últimos cinco anos, quando o fornecimento das três mineradoras – os maiores produtores do mundo – deteve um suave crescimento da demanda”.

“A China compra cerca de um quarto de seu minério de ferro só da Vale, e responde por 49.6% do total de vendas de minério de ferro da empresa para a Ásia. O país importa 65% de todo o minério de ferro comercializado, informou a Vale.

No entanto, a logística sempre foi um grande desafio, já que as maiores minas da Vale ficam a mais de 16 mil km da China enquanto as da BHP e da Rio Tinto estão mais perto”, informa o artigo do Financial Times.

Os jornalistas prosseguem: “A Vale construiu sua própria frota de transporte de minério de ferro, composta pelos navios Valemax, em 2011 numa tentativa de reduzir os custos de transporte, mas os cargueiros foram terminantemente impedidos de entrar nos portos chineses devido à oposição da associação de donos de navios na China assim como por questões de segurança.

As instalações do  novo porto, em Teluk Rubiah, foram projetadas para trabalhar em torno desse problema   ao acomodar os navios Valemax, cada um sendo capaz de carregar 400 mil toneladas de minério de ferro. Eles vão transportar o minério até a Malásia, de onde será redistribuído para a China e outros países asiáticos em embarcações menores.

“Teluk Rubiah faz parte da estratégia de negócios da Vale para melhorar a capacidade da empresa de fornecer minério de ferro de uma maneira mais cada vez mais eficiente para os mercados asiáticos”,  disse Murilo Ferreira, o diretor-presidente da Vale.

As instalações possuem cinco pátios de estocagem onde diferentes tipos de minério de ferro podem ser misturados e customizados de acordo com as necessidades dos clientes regionais”, informa a matéria.
“Isso vai permitir à Vale enfrentar um segundo problema que tem prejudicado seus esforços para obter vendas mais lucrativas na Ásia, segundo Ian Roper, analista na corretora CLSA, em Cingapura.

Desde 2010, quando mineiros e fabricantes de aço concordaram em abandonar um mecanismo de fixação de preços usado por 40 anos baseado em contratos de longo prazo, os preços do minério de ferro mudaram de contratos de longo prazo para um mercado a vista, onde a fixação de preços é mais imediata e transparente.

Isso permitiu a compradores na Ásia de baixar preços de fornecedores como a Vale, que haviam obtido lucros significativos com a venda, com um minério de ferro de alta qualidade, superior ao produto fornecido pelos rivais australianos, afirmou Roper, que foi entrevistado pelo Financial Times.
O analista disse também que a Vale agora será capaz de misturar um minério de ferro levemente inferior para o mercado chinês, próxima à qualidade do minério vendido atualmente pelos rivais australianos.

“Trata-se essencialmente de dar a eles a opção de não serem forçados a vender seu produto de melhor qualidade para a China com desconto,” analisou Roper. “Tendo a opção de não vender minério de alta qualidade para fábricas chinesas que não a valorizam, a Vale acredita claramente que as pessoas que o valorizam - Japão e Coréia – voltarão a pagar por produtos melhores".
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