quinta-feira, 9 de junho de 2016

Adeus, Ali



Muhammad Ali, um dos maiores atletas do século 20, morre aos 74 anos
  • Estados Unidos
José Romildo - Correspondente da Agência Brasil



 O lendário boxeador Muhammad Ali deixou registrado um grande número de vitórias no ringue Reprodução Facebook 

O lendário boxeador Muhammad Ali - um dos maiores esportistas do século 20 - morreu ontem (3) aos 74 anos. A informação sobre a sua morte só foi conhecida na madrugada de hoje (4). Ele estava internado em um hospital de Phoenix, capital do estado norte-americano do Arizona, desde o início desta semana, para tratar de problemas respiratórios.

Até o dia do enterro, previsto para quarta-feira, haverá homenagens ao boxeador em várias cidades dos Estados Unidos. Hoje haverá homenagem em Louisville, Kentucky, sua cidade natal. 

Muhammad Ali, que há 30 anos foi diagnosticado com a doença de Parkinson, era conhecido como pelo título "O Maior" (The Greatest), por ter obtido três vezes - em 1964, 1974 e 1978 - o título de campeão mundial de pesos pesados em uma carreira de 21 anos. Ele ganhou o primeiro título mundial aos 22 anos, em 1964, em uma luta contra Sonny Liston, até então considerado um lutador praticamente invencível.

O boxeador se destacou também por lutar abertamente - com sua língua afiada - contra o racismo nos Estados Unidos, em uma época em que os atletas negros costumavam agradar a elite esportiva branca para buscar riqueza e se transformar em celebridades.

Muhammad Ali também desafiou a legitimidade da guerra do Vietnã, ao se recusar, em 1967, a se alistar no exército norte-americano em uma época em que poucos cidadãos ousavam protestar contra o serviço militar, um ato considerado de desobediência civil. Tal atitude custou caro a Muhammad Ali que foi suspenso do boxe por mais de três anos.

Em outra atitude de desafio à tradição cultural e religiosa dos Estados Unidos, o boxeador - que foi registrado com o nome de Cassius Clary em sua certidão de nascimento - mudou o nome para Muhammad Ali depois que anunciou, em 1975, a adesão ao islamismo, em um período em que parte da imprensa e agentes do FBI (a polícia federal norte-americana) consideravam a religião muçulmana como um culto destinado a destruir os Estados Unidos.

Antes de entrar no mundo das competições esportivas, o jovem Cassius Clay era um estudante pobre. Segundo sua esposa Lonnie Ali, ele lutava para conseguir ler, provavelmente porque tinha dislexia. Ele descobriu seu talento para o boxe por acaso: aos 12 anos, foi a uma delegacia de polícia para dar queixa de que sua bicicleta tinha sido roubada. Um policial convidou Cassius para se juntar a um grupo de jovens pugilistas, que treinavam em um ginásio no centro de Louisville.

Muhammad Ali foi considerado o maior esportista do século 20 pela revista Sports Illustrated e personalidade desportiva do século passado pela BBC. Ele escreveu alguns livros sobre sua carreira, entre eles, "The Greatest: minha própria história".
Edição: Lílian Beraldo

 


Funeral de Muhammad Ali reúne milhares de pessoas nos Estados Unidos
  • 09/06/2016 18h55
  • Nova York (Estados Unidos)
Da Agência Ansa

 Muhammad Ali era considerado uma lenda do boxe mundialReprodução/Twitter

Saiba Mais
Uma multidão se reuniu nesta quinta-feira (9) para dar o último adeus a Muhammad Ali, lenda do boxe mundial, que morreu no fim de semana passado, aos 74 anos de idade. A cerimônia fúnebre de hoje é a primeira das programadas para ocorrer até o enterro do ex-pugilista em sua cidade natal, Louisville.

Além de membros de sua família, cerca de 14 mil pessoas assistiram à cerimônia, em Louisville. O funeral seguiu as tradições muçulmanas e ocorreu no Freedom Hall, arena onde Ali lutou pela última vez em 1961. Com duração de 30 minutos, o rito foi celebrado pelo imã Zaid Shakir e contou com a presença de ativistas de direitos civis, como Jesse Jackson, e um dos maiores empresários dos Estados Unidos, Don King.

No entanto, a cerimônia fúnebre mais suntuosa para Muhammad Ali ocorrerrá amanhã (10), no KFC Yum Center, de Louisville, com vários líderes políticos, como o rei da Jordânia, Abdullah II, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e o ex-presidente norte-americano Bill Clinton. O atual presidente dos EUA, Barack Obama, não comparecerá ao ato, que coincide com a formatura da sua filha Malia.