domingo, 20 de setembro de 2015

Novas tecnologias para um Brasil que precisa de justiça social



Fábrica de escolas
Projeto padronizado com pré-moldados e painéis termoacústicos possibilita construção de edifícios em dez meses no Rio de Janeiro
Por Juliana Nakamura
Edição 221 - Agosto/2015

A Prefeitura do Rio de Janeiro está construindo 136 novas unidades escolares no âmbito do programa Fábrica de Escolas do Amanhã Governador Leonel Brizola. O objetivo é elevar para 35% a quantidade de alunos do município em turno único, com sete horas de aulas por dia, até o final de 2016. Após análises de um grupo de estudo, formado por órgãos municipais e encabeçado pela Empresa Municipal de Urbanização do Rio de Janeiro (RioUrbe), chegou-se à conclusão de que as escolas precisariam ter concepção moderna e sistema construtivo rápido e eficiente.
Por isso, a equipe técnica da RioUrbe desenvolveu um modelo arquitetônico, baseado em pré-moldados de concreto e painéis de vedação termoacústicos, adaptável a terrenos com diferentes configurações. O modelo é organizado em módulos tanto em termos de programa arquitetônico quanto de sistema estrutural. Quando prontas, as novas escolas serão climatizadas e acusticamente tratadas.
Ao todo, já foram criadas 17 tipologias diferentes. Segundo a RioUrbe, o prazo de execução das unidades é estimado entre dez e 12 meses, com as primeiras entregas programadas para outubro deste ano e as últimas para dezembro de 2016.
Segundo o diretor de obras escolares da RioUrbe, Luiz Paulo Leite Hedi, a opção pelos pré-fabricados de concreto pode ser explicada do ponto de vista da sustentabilidade e da eficiência. "Dependendo do terreno, vamos executar escolas num prazo de dez meses. É um projeto todo modular, com vãos de 7 m, e as lajes não demandam escoramento. Depois de montada, vem a instalação dos painéis termoacústicos. É uma obra muito simples e limpa", resume.
Das 136 unidades em execução, a Odebrecht Infraestrutura é responsável pela construção de 28 unidades, nos bairros de Realengo, Bangu, Santíssimo, Inhoaíba, Cosmos e Campo Grande. Para ter mais controle e eficiência na produção das peças pré-moldadas da estrutura, a construtora se instalou dentro da fábrica de um fornecedor - a licitação previa tal medida. A questão do prazo norteou o projeto desde a sua concepção e era uma das preocupações da construtora.
Nesse formato, são fornecidos, sem atrasos, pré-moldados para todos os 28 canteiros da Odebrecht. "Temos reuniões semanais de planejamento com o fabricante para garantir que todas as peças sejam entregues na ordem e nos canteiros corretos. Criamos um programa que torna o planejamento da fabricação e da logística mais acessível. Assim, não ficamos com mão de obra ociosa no canteiro", explica Darcy Moschioni, gerente operacional da Odebrecht no projeto Fábrica de Escolas.
Moschioni pontua também que a opção pelo pré-moldado, além de reduzir o tempo de obra, diminuiu a quantidade de mão de obra nos canteiros para cerca de 30 operários. "Isso não só na parte do pré-moldado, mas no todo. Se a estrutura fosse convencional, teríamos, certamente, quatro ou cinco vezes mais", aposta.

Estrutura e fechamento

O tipo de fundação e o grau de dificuldade nesta etapa variam conforme a característica de cada terreno. A maioria das obras da Odebrecht utilizou fundações diretas. De acordo com Moschioni, apenas uma pequena parcela demandou fundações profundas. Já a estrutura pré-moldada de concreto é formada por pilares de seção quadrada de 40 cm, com consoles; vigas de seção retangular de, em geral, 30 cm x 65 cm; e lajes alveolares de 7,1 m x 1,25 m, com 10 cm de altura - posteriormente, aplica-se uma malha e um recobrimento de concreto, o que totaliza altura entre 17 cm a 20 cm.
Em vez da tradicional alvenaria, a vedação das escolas é feita com painéis termoacústicos. Esse é um dos principais diferenciais do programa. Diversas foram as estratégias elencadas no projeto para criar boas condições térmicas e acústicas dentro dos edifícios. De acordo com Hedi, da RioUrbe, o objetivo é absorver 50% do som e do calor. Isso é possível devido ao uso de espuma rígida de poliuretano, que possui baixo índice de condutibilidade térmica.
Os painéis de vedação são compostos por três camadas separadas umas das outras por chapas de aço, nesta ordem: chapa de aço, poliuretano, chapa de aço, lá de pet, chapa de aço, poliuretano e, por fim, chapa de aço novamente. A lã de pet fica no meio, como fosse o recheio do painel. Ao todo, o conjunto tem 15 cm de espessura - cada camada de material isolante tem 5 cm. A fixação na estrutura de concreto é feita com perfil guia no piso ou teto e perfil H, montante em chapa perfilada de aço zincado, com pintura eletrostática nas faces externas.
As instalações hidráulicas dos banheiros são todas aparentes, mas as elétricas ficam no interior do painel. Isso porque as camadas que formam o painel chegam à obra separadamente. A instalação se dá da seguinte forma: primeiro é instalado o painel de poliuretano na estrutura. Depois, sobre a face deste painel já instalado, são feitas as instalações elétricas e de dados. Em seguida, as instalações são cobertas pela lã de pet. Por fim, é colocado o último painel de poliuretano, completando a espessura total do painel, de 15 cm, e finalizando a vedação.
Outra novidade é o uso de telha trapezoidal tipo sanduíche formada por duas chapas de aço com preenchimento de espuma de poliuretano, com 30 mm de espessura. Em sua porção inferior, a chapa de aço é perfurada para que o som possa ser absorvido pela espuma e, com isso, deixe de reverberar no espaço interno da escola. Forros acústicos especiais também serão utilizados. "O som e o calor exteriores não afetarão o interior da sala. A sala de aula vai ter forros especiais que reverberam o som de forma igualitária para todo o ambiente. O professor não vai precisar mais gritar, por exemplo,", afirma Hedi.
 Fábrica de escolas
Projeto padronizado com pré-moldados e painéis termoacústicos possibilita construção de edifícios em dez meses no Rio de Janeiro
Por Juliana Nakamura
Edição 221 - Agosto/2015

Além da cobertura em aço, rampas e escadas também são metálicas. Já as janelas têm caixilharia em alumínio com pintura eletrostática e vidro duplo de 10 mm de espessura - tipo básculas - para, mais uma vez, ajudar a melhorar as condições térmicas e acústicas da escola. As portas, aduelas e alisares serão em chapas de aço galvanizado.
Outro conceito adotado, também pensando no conforto térmico, foi a fachada dupla. Brises metálicos serão colocados em volta de toda a fachada das escolas, com um afastamento que permite abrigar os equipamentos de ar-condicionado - cada escola terá aproximadamente 80 condensadores.
A adoção dos brises também trará economia de energia às escolas. Segundo Luiz Paulo Leite Hedi, diretor de obras escolares da RioUrbe, os brises reduzirão a incidência de raios solares na fachada principal e, assim, não será preciso utilizar ar-condicionado na potência máxima o dia inteiro. "Certamente, a durabilidade dos equipamentos será maior e a manutenção menor", projeta. Ao todo, serão três tipos de escola, destacados pela cor da fachada: Espaço de Desenvolvimento Infantil (creche e pré-escola, brises azuis); Primário (1º ao 6º ano, brises amarelos); e Ginásio (7o ao 9º ano, brises verdes).
Estrutura rápida
FICHA TÉCNICA
Construção: Odebrecht Infraestrutura; projeto de arquitetura e fachada: Blac Backheuser Arquitetura e Cidade; projeto de fundações: CGR Consultoria e Projetos e Geoconsult - Consultoria de Solos e Fundações; projeto de estrutura de concreto e metálico: Cagen - JLA Casagrande Serviços e Consultoria de Engenharia; projeto de vedação: MBP - Metalúrgica Valença; projeto de instalações elétricas, hidráulicas, ar condicionado, telefonia e automação:Forconsult Projetos e Consultoria em Engenharia; terraplenagem: Terco Terraplenagem;sondagem: PBS Sondagens; mão de obra: Açomonta e J Araújo; fundações: Sorocabana e Silvageo; estrutura metálica, painéis de fechamento e portas: Metalúrgica Valença, Sanebrás e Metalbrás; prémoldados de concreto: Faulhaber, Cassol e Incopre; fechamento: Metalúrgica Valença; cimento: Nassau e Votorantim; argamassa: Sika; janelas de alumínio: Metalúrgica Valença e Tecnew; vidro: Disvidro; brises: Cadri e Hunter Douglas; tubos e conexões: Tigre e Amanco.